domingo, 2 de abril de 2017

História do Bairro do Curado - Jaboatão

Por James Davidson


O distrito do Curado é subdividido em 5 comunidades limítrofes que são: Curado I, II, III, IV e Curado V. Localiza-se no setor norte do município do Jaboatão dos Guararapes, em áreas próxima com o Recife e com o município de São Lourenço da Mata. É de fácil comunicação, sendo atravessado pelas rodovias Br 232 e 408, bem como pelas linhas do metrô e de trem.


A história da localidade tem início no período colonial. Todas as terras do atual Curado pertenciam à vários engenhos de açúcar. Entre esses, destaque para o engenho São Francisco da Várzea, cuja vastíssima sesmaria abrangia quase toda a região. Tinha esta o tamanho de uma légua em quadro, extendendo-se  desde o Engenho São João, a leste, até o antigo Engenho Camassari, a oeste. Ao norte esta sesmaria chegava a São Lourenço da Mata e ao sul limitava-se com os engenhos Curado e Santo Amaro.


O Engenho São Francisco pertencia inicialmente a Francisco do Rego Barros, em 1593, juiz da Câmara de Olinda. Durante o período holandês (1630-1654) chegou a ser invadido pelas tropas invasoras, quando então pertencia a Dona Maria Barboza, em 1633, logo após o ataque efetuado por eles ao povoado de Jaboatão. Posteriormente, foi adquirido por André Vidal de Negreiros.


Pela demarcação feita em 1624, o Engenho São Francisco da Várzea tinha as seguintes confrontações: nascente com os Engenhos São Cosme e São João; ao sul com o Engenho São Sebastião ou Curado (pertencente ao capitão Salvador Curado, vindo daí a denominação Curado); e ao oeste com terras do Engenho Camassari; ao norte com o Engenho Muribara.


O genro de Vidal de Negreiros, capitão Diogo de Cavalcanti de Vasconcelos, é o seguinte proprietário. Ele anexa à propriedade um partido de terras denominado Cova de Onça. Em 1754 era dono do engenho o senhor Manuel Ferreira da Costa que desmembrou partes do Engenho São Francisco onde foram levantados os engenhos Mussaíba e Penedo. No início do século XIX, pertencia ao senhor Joaquim Canuto de Figueiredo que herdou a propriedade de seu sogro, em 1822, o morgado Francisco Pereira de Castro.


No final do século XIX, o engenho pertence ao senhor Francisco do Rego Barros de Lacerda. Ele introduz vários melhoramentos no engenho a partir de 1873, inclusive trilhos ferroviários para o transporte de cana. Foi assim o Engenho São Francisco um dos primeiros engenhos do estado a se transformar em usina.


A região do atual bairro permaneceu como área rural durante boa parte do Século XX. Os canaviais e sítios dos engenhos São Francisco, Santo Amarinho, Cumbe, Mussaíba e Cova da Onça foram por muito tempo a paisagem dominante da região.  Esta situação começou a mudar a partir de 1965, com a construção da BR 232. Logo em seguida, é instalado o distrito industrial do Curado, com fábricas de sorvetes, bebidas, pilhas, etc. Anos mais tarde é implantado o Terminal Rodoviário do Recife - TIP, contribuindo assim para o crescimento econômico e populacional da região.


No final da década de 1970, houve a implantação dos conjuntos residencias que deram origem ao Curado. O Curado I foi instalado em terras do antigo Engenho Cumbe, no ano de 1978. Já os conjuntos Curados II, III e IV foram instalados em terras dos engenhos Santo Amarinho, Cova de Onça e São Francisco, a partir de 1978. Sua construção contou com recursos do banco Nacional de Habitação e contava com prédios de quatro e três andares e com casas térreas.



Apesar de planejado, o bairro careceu desde o início de áreas de lazer, como praças e parques. Outros problemas surgiram por conta das ocupações desordenadas nos espaços livres entre os prédios. Os Curados integrava inicialmente o distrito de Cavaleiro. No ano de 1996, o Curado passou a ser distrito do município do jaboatão, pela lei municipal n° 268 de 24 de dezembro de 1996. O Curado é hoje um dos distritos mais importantes e dinâmicos do Jaboatão dos Guararapes, com uma população total de 46.449 habitantes em 2010.







quarta-feira, 1 de março de 2017

Rio Tejipió

Por James Davidson


O rio Tejipió é um dos principais cursos d’água que atravessam o município do Jaboatão dos Guararapes. Localizado na região norte do município, o Rio Tejipió serve de limite entre os municípios do Recife e do Jaboatão dos Guararapes, em parte significativa de seu curso. Depois dos rios Jaboatão e Duas Unas, é o principal curso d’água do município.



O Rio Tejipió nasce nas matas do antigo Engenho Mamucaia, município de São Lourenço da Mata. Sua bacia hidrográfica abrange territórios de três municípios: Recife, Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata. O Rio Tejipió é também o 3° rio mais importante da cidade do Recife, ao lado dos rios Capibaribe e Beberibe.


Após deixar as matas da Mamucaia, o rio Tejipió penetra nas matas dos engenhos Cova de Onça e São Francisco, no bairro do Curado. O Tejipió atravessa a Br 408 quase despercebido, junto ao condomínio Alphaville, e segue pelo distrito industrial do Curado. Ali, o rio começa a receber os primeiros dejetos urbanos, oriundo principalmente do esgoto despejado em seu afluente - riacho São Francisco - que atravessa os bairros do Curado II e Curado III.



Logo após atravessar a Br 232, o Tejipió entra em uma região densamente habitada - Baixa da Colina, Alto do Céu, Totó. Ali os impactos ambientais sofridos pelo rio são mais visíveis como o assoreamento causado pelo lixo, as ocupações irregulares das margens e a poluição causada pelo esgoto doméstico.

No bairro de Coqueiral, o Rio Tejipió deixa o município do Jaboatão dos Guararapes e segue seu curso por vários bairros da Cidade do Recife. Em todo o seu curso recebe vários afluentes, muitos deles alvos dos mesmos problemas ambientais - Riacho Tejipió-mirim, São Francisco, Jangadinha, Cavalheiro, Sucupira, Jiquiá - até desaguar na bacia do Pina. No porto do Recife, o Tejipió encontra-se com o oceano, no mesmo estuário dos rios Capibaribe e Beberibe.


Por conta dos vários impactos ambientais sofrido pelo Tejipió ao longo de seu curso, a população ribeirinha sofre com as consequências. A principal delas é o transbordamento do leito do rio durante as chuvas, causando alagamentos e enchentes que se repetem todos os anos. Outro problema é a poluição que deixa a população sob o risco de várias doenças.
Como o rio serve de limite entre os dois municípios, o ideal era que houvesse uma parceria entre as duas prefeituras com a finalidade de solucionar os problemas do Rio Tejipió. É necessário que seja feito o tratamento do esgoto que verte para a bacia, como também o controle da ocupação irregular das margens, evitando as constantes invasões. Também seria preciso dragar alguns trechos já assoreados e trabalhar com a comunidade a Educação Ambiental.


sábado, 4 de fevereiro de 2017

Riacho Manassu

Por James Davidson


O Riacho Manassu é um dos principais afluentes do Rio Jaboatão, pela margem esquerda. É mais conhecido por atravessar o populoso bairro de Santo Aleixo, causando muitas enchentes. Seu curso posssui um total de 7,5 km de extensão, atravessando as terras dos municípios do Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata.


A nascente do Riacho Manassu está localizada em terras do município de São Lourenço da Mata. Atravessa uma área pouco habitada, onde predominam sítios e granjas do antigo Engenho Mussaíba. Entra em terras do município do Jaboatão dos Guararapes com pouco mais de 1 km de curso, seguindo pela direção sul rumo à Mata de Manassu. Por conta disso, nesse trecho as águas do Riacho Manassu estão bastante limpas quando comparadas ao que acontecerá com este rio logo adiante.




Do Engenho Manassu, deixa o riacho a zona rural para adentrar na zona urbana. No bairro de Jardim Manassu, ainda ao norte da BR 232, o riacho já começa a sentir os efeitos impactantes das ações humanas, como a poluição, o lançamento de efluentes domésticos e o assoreamento. Também recebe por ali o Riacho Goiabeira, seu principal afluente. Nasce este último em terras do antigo Engenho Cananduba, atravessa as terras do Engenho Goiabeira até desaguar no Manassu, abaixo da Ponte da BR 232, após percorrer 3 km de curso.




O Riacho Manassu percorre um longo trecho em terras do bairro de Santo Aleixo. Ali é onde a situação é mais agravante! O Riacho foi praticamente estrangulado pelas habitações em alguns trechos. O assoreamento do curso d'água é nítido, tornando o canal fluvial cada vez mais raso, o que resulta em enchentes. Segundo os moradores locais, todos os anos o riacho transborda na época das chuvas, causando graves inundações nas ruas vizinhas. A chamada "Beira Rio" é a comunidade mais afetada e já foram realizados vários protestos pela população do bairro solicitando solução para o problema.




Após passar pela comunidade chamada Mundo Novo, o Riacho Manassu segue para o bairro da Cascata. Ali forma uma bela cachoeira que acabou batizando a localidade. O nome "Manassu" vem do tupi e significa "grande tempestade" nome dado em referência a queda d'água em virtude do fato de suas águas serem ouvidas de longe, lembrando o som de uma tempestade. Hoje, por conta da degradação que o riacho, é preciso chegar muito perto para ouví-la.


Da Cascata, o riacho passa pelo campo do Locomoção em direção ao bairro de Engenho Velho. Passa pela chamada Rua do Rio naquele bairro e pela Ponte da Viscondessa, na Avenida General Manoel Rabelo. O Riacho Manassu termina seu curso desaguando no Rio Jaboatão, atrás da UPA de Engenho Velho.


O Riacho Manassu é assim um curso d'água localizado em sua maior parte em zona urbana. Os problemas das enchentes em seu curso é ocasionado pelo assoreamento de seu leito resultante das ocupações em suas margens, do lançamento de esgoto e de lixo. Muitas alternativas de solução já foram propostas para resolver a questão, mas a falta de interesse político das autoridades sempre foi um empecilho. Uma das alternativas mais reivindicadas é a canalização do trecho urbano do Riacho, na área mais afetada pelos transbordamentos. Outra proposta é o desvio do curso para o Riacho Mussaíba, que corre dentro da Mata de Entre Rios. Acredito porém que nenhuma dessas soluções será definitiva para o problema se paralelo a isso não houver a recuperação ambiental do riacho, acompanhada do tratamento de esgoto. De nada adiantará desviar ou canalizar se o esgoto, o lixo e as invasões irregulares do leito continuarem a alimentar a raiz do problema.